O Exorcismo
Exorcismo
O exorcismo é uma forma de sacramental. Segundo o Catecismo da Igreja Católica, sacramentais são sinais sagrados instituídos pelos quais, à imitação dos sacramentos, são realizados significados efeitos principalmente espirituais, obtidos pela impetração da Igreja.
Pelos sacramentais os homens se dispõem a receber o efeito principal dos sacramentos e são santificadas as diversas circunstâncias da vida. Os sacramentais não conferem a graça em si, à maneira dos sacramentos, mas são caminhos que conduzem a ela, ajudando a santificar as diferentes circunstâncias da vida. Eles despertam nos cristãos sentimentos de amor e de fé.
Dessa forma, o exorcismo é usado em caso de possessão diabólica e conferido por uma autoridade constituída pela Igreja, quando esta exige, publicamente e com autoridade, em nome de Jesus Cristo, que uma pessoa ou objeto seja protegido contra a influência do maligno e subtraído a seu domínio.
O Catecismo, no número 1673, nos diz: "Quando a Igreja pede publicamente e com autoridade, em nome de Jesus Cristo, que uma pessoa ou um objeto seja protegido contra as armadilhas do maligno e subtraída de seu domínio, fala-se de exorcismo. Jesus o praticou (Mc 1,25 ss), Ele tem o poder e o ofício de exorcizar". Jesus praticou o exorcismo. É D'Ele que a Igreja recebeu o poder e o encargo de exorcizar. Sob uma forma simples, o exorcismo é praticado durante a celebração do Batismo. A solenidade do exorcismo, chamado "grande exorcismo", só pode ser praticado por um sacerdote, exorcista, que, formal ou informalmente, o bispo nomeia, levando em conta a sua formação científica e religiosa, a sua piedade e o seu comportamento moral. É preciso que um exorcista seja um homem de adoração, comprovado na moral e que tenha conhecimento da ciência religiosa.
O exorcismo visa expulsar os demônios ou livrar da influência demoníaca, e isto pela autoridade espiritual que Jesus confiou à sua Igreja. Bem diferente é o caso de doenças, sobretudo psíquicas, cujo tratamento depende da ciência médica. É importante, pois, verificar, antes de celebrar o exorcismo, se o caso trata-se de uma presença do maligno ou de uma doença. Por isso, torna-se necessário proceder com prudência, observando estritamente as regras estabelecidas pela Igreja.
A sessão de exorcismo tem várias etapas, que se vão cumprindo de acordo com o tipo de demônio, o passado da pessoa e suas relações anteriores. Primeiro é preciso fazer uma oração pela árvore genealógica da pessoa que está sendo atendida, para que, com a ajuda de Deus e dos anjos, possa-se regressar ao passado dela e com a oração ir destruindo, gradualmente, os males existentes nos antepassados, curando-os até chegar ao presente. Depois, começa o verdadeiro exorcismo, e este não se faz num dia ou numa hora. São várias as etapas que a pessoa terá de voltar porque são situações que vão sendo quebradas com orações muito fortes.
As pessoas que vão intervir neste exorcismo, nessa sessão de cura e libertação, devem ter feito uma boa confissão, devem ser pessoas de fé e oração, para que, no momento exato em que Deus terminar, a pessoa fique completamente liberta. Se em volta da pessoa por quem se reza estiver uma, duas, ou três pessoas em pecado mortal, a libertação e a cura tornam-se difíceis, adiadas, porque estas estão sob domínio do maligno, e isso contribui e dá mais forças ao demônio que tem de ser expulso daquela pessoa. Daí a necessidade de não se ajuntar muita gente ao redor da pessoa por quem se está rezando e se ter a certeza de que todos, que estão ao redor, estão em estado de graça, em condições para ajudar, para que a libertação aconteça o mais rápido possível.
Por que o maligno invade uma pessoa?
Há um leque de causas, mas a princípio, isso ocorre se a pessoa estiver desprevenida. O ódio, o ressentimento, a ira, o não perdoar e o espírito de vingança atraem o demônio. Na linguagem técnica, diz-se que estas coisas são "fissuras", "janelas" ou "portas" que facilitam a entrada do demônio. Principalmente, quando há alguém que esteja em pecado mortal, e neste estado o que mais atrai o demônio é o ódio e a sexualidade desregrada, ou seja, fora do matrimônio.
A pessoa possuída pelo demônio, a princípio, tende a apresentar sintomas característicos, como falar línguas estranhas. Um exemplo é alguém que nunca tenha estudado francês, inglês, latim ou grego e, de repente, começa a falar um desses idiomas de forma fluente e clara. Ela também poderá adotar atitudes externas como agressividade e raiva exageradas, fúria e agressão física. Estes são também sintomas que nos fazem pensar que essa pessoa já esteja possuída por alguma entidade estranha, que é o espírito do mal.
O grau de interferência do maligno varia de acordo com o tipo de espírito mau que "penetra" na pessoa. Sabe-se que existem os coros dos anjos, que são serafins, querubins, potestades, virtudes, principados, anjos e arcanjos. Destes coros, caíram anjos e esses 'anjos caídos' mantiveram o seu poder, a sua força, a sua inteligência, a sua agilidade e também todas as suas capacidades de mobilidade. Perderam apenas dois atributos: o amor e a graça. Portanto, se um indivíduo, por desgraça, é penetrado por um espírito que era serafim, a possessão é mais pesada e, normalmente, quando a pessoa está possessa, não é apenas por um espírito, pois eles trazem consigo vários outros espíritos.Assim, alguém pode estar possuído por legiões de demônios, que são formadas por milhares e milhares deles. Os casos mais graves acontecem quando as pessoas estão em pecado mortal.
Pecados mortais
Pecado mortal é aquele que é grave, normalmente contra um dos Dez Mandamentos de Deus: matar, roubar, adulterar, prostituir, blasfemar, prejudicar os outros, ódio, etc.. É algo que nos deixa incomodados... Veja o que diz o Catecismo da Igreja Católica (CIC) sobre isso:
§1856 - O pecado mortal, atacando em nós o princípio vital que é a caridade, exige uma nova iniciativa da misericórdia de Deus e uma conversão do coração, que se realiza normalmente no sacramento da Reconciliação:
“Quando a vontade se volta para uma coisa de per si contrária à caridade pela qual estamos ordenados ao fim último, há no pecado, pelo seu próprio objeto, matéria para ser mortal... quer seja contra o amor de Deus, como a blasfêmia, o perjúrio etc., ou contra o amor ao próximo, como o homicídio, o adultério, etc. Por outro lado, quando a vontade do pecador se dirige às vezes a um objeto que contém em si uma desordem, mas não é contrário ao amor a Deus e ao próximo, como, por exemplo, palavra ociosa, riso supérfluo etc., tais pecados são veniais” (S. Tomás, S. Th. I-II,88,2).
§1857 – Para que um pecado seja mortal requerem-se três condições ao mesmo tempo: “É pecado mortal todo pecado que tem como objeto uma matéria grave, e que é cometido com plena consciência e deliberadamente” (RP 17).
§1858 – A matéria grave é precisada pelos Dez Mandamentos segundo a resposta de Jesus ao jovem rico: “Não mates, não cometas adultério, não roubes, não levantes falso testemunho, não defraudes ninguém, honra teu pai e tua mãe” (Mc 10,19). A gravidade dos pecados é maior ou menor; um assassinato é mais grave do que um roubo. A qualidade das pessoas lesadas entra também em consideração. A violência exercida contra os pais é em si mais grave do que contra um estrangeiro.
§1859 – O pecado mortal requer pleno conhecimento e pleno consentimento. Pressupõe o conhecimento do caráter pecaminoso do ato, de sua oposição à lei de Deus. Envolve também um consentimento suficientemente deliberado para ser uma escolha pessoal. A ignorância afetada e o endurecimento do coração (cf. Mc 3,5-6; Lc 16,19-31) não diminuem, antes aumentam, o caráter voluntário do pecado.
§1860 – A ignorância involuntária pode diminuir ou até escusar a imputabilidade de uma falta grave, mas supõe-se que ninguém ignore os princípios da lei moral inscritos na consciência de todo ser humano. Os impulsos da sensibilidade, as paixões podem igualmente reduzir o caráter voluntário e livre da falta, como também pressões exteriores e perturbações patológicas. O pecado por malícia, por opção deliberada do mal, é o mais grave.
§1861 – O pecado mortal é uma possibilidade radical da liberdade humana, como o próprio amor. Acarreta a perda da caridade e a privação da graça santificante, isto é, do estado de graça. Se este estado não for recuperado mediante o arrependimento e o perdão de Deus, causa a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no inferno, já que nossa liberdade tem o poder de fazer opções para sempre, sem regresso. No entanto, mesmo podendo julgar que um ato é em si falta grave, devemos confiar o julgamento sobre as pessoas à justiça e à misericórdia de Deus.
§1862 – Comete-se um pecado venial quando não se observa, em matéria leve, a medida prescrita pela lei moral, ou então quando se desobedece à lei moral em matéria grave, mas sem pleno conhecimento ou sem pleno consentimento.
Como se manter liberto do mal
O objetivo da cura e da libertação é a conversão da pessoa. Deus a cura e a liberta para que se converta. Essa é a etapa principal. Converter-se significa fazer uma confissão bem feita, mudar de vida, deixando todo tipo de vício e pecado. Essa confissão bem feita implica necessariamente em escrever os seus pecados num papel, de forma que, quando chegar ao confessor, possa lê-los. Pois se chegar ao confessionário, sem seus escritos, acabará omitindo pecados muito graves por esquecimento. Esta técnica é muito boa, principalmente para aqueles que não se confessam há anos.
Assim, a confissão bem feita, a oração diária e bem feita e o sacramento da Eucaristia fecham a porta ao demônio e dificultam a volta dele. A pessoa deve ir à Santa Missa, se possível todos os dias; mas nunca deixar de ir aos domingos, porque a Eucaristia alimenta a alma e o espírito. Se tudo isso não for feito, ele volta com os piores demônios e num número muito mais elevado e essa situação torna-se pior que a primeira.
O Exorcismo de Emily Rose
Venho novamente aqui para te indicar mais um filme que considero importante para o nosso conhecimento cristão e que se encaixa dentro da classificação de filmes que podemos e devemos assistir.
O Exorcismo de Emily Rose está dentro do gênero de filmes de terror, mas de certo, por não existir uma classificação própria para este gênero, principalmente por ser baseado em uma história real, foge significadamente das fantasias ou lendas supersticiosas criadas em estúdios de criação de horror. O caso Emily Rose, ocorrido nos anos 70, é até hoje um tema polêmico para o mundo acadêmico e científico principalmente por se tratar de um tema religioso. A possessão é um fenômeno em que a Igreja Católica tem se debruçado atenciosamente nos últimos séculos, em um profundo estudo, não somente na linha teológica e filosófica, mas sobre tudo cientifica.
O filme vem focar exatamente a existência e a verdade deste fenômeno que é objeto de dúvida para os estudiosos acadêmicos, mas que para Igreja, a possessão é uma realidade existente no mundo espiritual e comprovado, pois acreditamos na existência do demônio e suas diversas maneiras de se manifestar no mundo. Como lemos na carta de Paulo aos Efésios 6,12 que a nossa luta não é contra homens de carne e sangue, mas sim contra as forças do mal espalhado nos ares.
Por tanto, é um filme que eu indico sim, mas não pra qualquer um. Como eu disse acima, não é um filme de terror, mas contém cenas fortes de dar arrepios, e é preciso estar pelo menos bem preparado espiritualmente para assisti-lo, pois há algumas cenas (como por exemplo o áudio usado no julgamento é o áudio real do momento do exorcíscmo) que podem transmitir medo, sensações que o demônio, que nos ronda o tempo todo querendo nos devorar, pode encontrar ai uma brecha para nos persuadir com suas insidias, então muita atenção para este critério.
Meu querido leitor, eu preciso dizer que o mal e o demônio existem, mas não é porque eu acredito nisso que estou indicando este filme, mas, sobretudo para que não andemos iludidos, lubridiados por qualquer teoria ou fabulas enganosa. Na Igreja há muitos documentos seguros onde podemos nos aprofundar sobre este tema e entender o que a Igreja pensa sobre isso, e este filme só quer nos estimular estar cada vez mais preparados e mais mergulhados em Deus, para discernir e resistir as terríveis ciladas do demônio.
sinopse:
Emily Rose (Jennifer Carpenter) é uma jovem que deixou sua casa em uma região rural para cursar a faculdade. Um dia, sozinha em seu quarto no alojamento, ela tem uma alucinação assustadora, perdendo a consciência logo em seguida. Como seus surtos ficam cada vez mais frequentes, Emily, que é católica praticante, aceita ser submetida a uma sessão de exorcismo. Quem realiza a sessão é o sacerdote de sua paróquia, o padre Richard Moore (Tom Wilkinson). Porém Emily morre durante o exorcismo, o que faz com que o padre seja acusado de assassinato. Erin Bruner (Laura Linney), uma advogada famosa, aceita pegar a defesa do padre Moore em troca da garantia de sociedade em uma banca de advocacia. À medida que o processo transcorre o cinismo e o ateísmo de Erin são desafiados pela fé do padre Moore e também pelos eventos inexplicáveis em torno do caso.
Neste link você poderá ler sobre a história real que inspirou este filme: Anneliese Michel
titulo original: (The Exorcism of Emily Rose)
lançamento: 2005 (EUA)
direção: Scott Derrickson
atores: Laura Linney , Tom Wilkinson , Campbell Scott , Jennifer Carpenter , Colm Feore
duração: 119 min
gênero: Terror